quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Bin Laden morreu em 2001

Bin Laden está morto já faz tempo

E assim caminha a humanidade...

Um morto é continuamente mantido “vivo” para que exista um bode expiatório necessário, justificando a interminável “Guerra contra o Terror”.

Osama Bin Laden morreu a 16 de dezembro de 2001 no Afeganistão, provavelmente de problemas renais e hepáticos que o atormentavam há anos. Ele tinha hepatite C e tinha que ser internado freqüentemente para se submeter a uma hemodiálise.
Última foto de Osama Bin Laden
Sua última foto, tirada a 6 de dezembro de 2001, mostra um homem bastante envelhecido por uma grave enfermidade. Segundo os especialistas da CIA, Bin Laden precisava naquela época de uma hemodiálise a cada três dias e eles disseram: “Claro que é muito difícil quando precisa-se fugir de um local para outro e ainda, como seria possível por em operação um equipamento transportável pelos seus esconderijos nas montanhas?”. Para comparação, uma foto da época, quando ele ainda estava saudável.
Osama Bin Laden
Há muitas provas e indícios que apontam para o fato de Bin Laden já estar morto há muito tempo. A seguir o relato sobre seu enterro, publicado a 26 de dezembro de 2001 em um jornal egípcio.

Aqui a tradução:
“al-Wafs, quarta-feira, 26 de dezembro de 2001, Vol 15 Nº 4633, notícia sobre a morte de Bin Laden e enterro há 10 dias. Islamabad-Paquistão. Um importante oficial do movimento afegão Talibã anunciou ontem a morte de Osama Bin Laden, o líder da organização Al-Qaeda. Ele disse, Bin Laden sofre graves complicações no pulmão e faleceu serenamente de morte natural. O oficial, que exigiu o anonimato, disse ao jornal ´The Observer of Pakistan`, que ele próprio estava presente ao enterro e ele tinha olhado sua face antes do enterro em Tora Borá, há 10 dias. Ele disse que 30 companheiros de sua Al-Qaeda estavam no enterro, assim como membros de sua família e alguns amigos do Talibã. Na cerimônia de encerramento para o descanso final, foi realizada uma salva de tiros. O oficial ainda disse que seria difícil achar o local exato da cova, pois de acordo com a tradição wahhabista nenhuma marcação indica o local. Ele salienta, seria improvável que os militares americanos encontrassem um dia apenas uma única pista de Bin Laden.
Artigo sobre a morte de Bin Laden
Que Bin Laden estava muito enfermo e necessitava constantemente de tratamento e hemodiálise, isso é mostrado em diversos artigos sobre diversas estadias em hospitais durante seu último ano de vida. Por exemplo, a 4 de julho de 2001, Bin Laden foi tratado no hospital norte-americano de Dubai com medidas emergenciais e com um aparelho de hemodiálise (Guardian). Durante este tratamento, ele recebeu no hospital a visita do chefe local da CIA e eles conversaram amistosamente. Afinal, Bin Laden fora um agente da CIA na guerra contra os soviéticos no Afeganistão e operou sob o codinome “Tim Osman”.

Justamente um dia antes do 11 de setembro de 2001, Bin Laden foi ao hospital militar em Rawalpindi Pakistan, para se submeter a uma diálise. Soldados paquistaneses escortavam Bin Laden e substituíram os funcionários da clínica por pessoas de confiança (CBS). Não é interessante que justamente no dia do grande ataque terrorista contra a América do Norte, Bin Laden estivesse sob custódia dos militares paquistaneses e justamente na semana anterior e na semana posterior, o chefe do serviço secreto paquistanês ISI, General Mahmood Ahmed, esteve em Washington e conversou no Pentágono com o National Security Council, depois com o diretor da CIA Tenet, com pessoas da Casa Branca e com Marc Grossman, Vice-Secretário de Estado para assuntos políticos (Karachi news).

Isso significa que todas as partes sabiam onde Bin Laden se encontrava, e caso os norte-americanos realmente fossem da opinião que Bin Laden era o autor dos ataques, então ele seria entregue sem resistência e eles poderiam tê-lo prendido imediatamente no leito do hospital. Mas nada parecido aconteceu. Eles deixaram-no voltar para o Afeganistão após seu tratamento, aonde então veio a falecer algumas semanas mais tarde.

Este comportamento prova para qualquer pessoa normal que Bin Laden nada tem a ver com o 11 de setembro e ainda prova que eles criaram na mídia mundial um bode-expiatório como organizador dos ataques e super-terrorista. Tudo isso é uma gigantesca mentira.

A 17 de setembro de 2001, a emissora de TV Al Jazeera publicou uma notícia de Bin Laden, onde ele disse que ele nada tinha a ver com o 11 de setembro: “O governo dos EUA me culpa continuamente por cada um dos ataques. Eu gostaria de assegurar ao mundo, eu não planejei estes ataques, que parecem ter sido planejados por outras pessoas por motivos pessoais. Eu vivo no emirado islâmico Afeganistão e sigo as regras de seus governantes. Os governantes atuais não me permitem executar tal operação”. (CNN)

Outra prova que Bin Laden nada tem a ver com o 11/9, é a notícia que Bin Laden alugou um avião, o qual levou para fora do país todos os membros de sua família reunidos por todo os EUA, apenas alguns dias depois dos ataques em Nova York, a 19 de setembro de 2001. Embora houvesse neste momento uma completa proibição para trânsito aéreo nos EUA, este vôo foi autorizado expressamente pela Casa Branca. Nenhum membro da família de Bin Laden ou outros cidadãos sauditas foram interrogados ou controlados antes da decolagem.

O governo norte-americano afirma que 17 dos 19 terroristas são originários da Arábia Saudita e justamente quando cidadãos deste país queriam deixar os EUA e ainda pertenciam à família Bin Laden, eles tiveram a permissão expressa de Bush para partir com este avião. (PDO)

A 12 de setembro de 2001, o embaixador do Talibã no Afeganistão declarou a respeito de Bin Laden: “Caso as provas nos sejam apresentadas, então nós iremos apurá-las. Então nós iremos discutir uma extradição”. (The Hindu) Alguns dias depois, o embaixador disse ainda: “Nossa posição é esta, se os EUA têm provas, nós estamos dispostos a levar Bin Laden aos tribunais segundo estas provas”. (CBS) Estas provas nunca foram disponibilizadas pelo governo dos EUA.

A 23 de setembro de 2001, o então ministro do exterior norte-americano, Colin Powell se contradisse em tom bem marcante, o governo iria publicar em breve os documentos das forças de segurança que provariam a culpa de Bin Laden. (Seattle) Estas provas nunca foram apresentadas, seis anos após os atentados, e o mundo espera ainda hoje por elas.

A última emissão para seus comandados no Afeganistão foi anunciada pelo serviço secreto norte-americano a 15 de dezembro de 2001. Desde então ninguém ouviu sua voz em algum rádio ou telefone, embora toda comunicação do mundo seja vigiada pela NSA. Se ele ainda vivesse, então ele teria que se comunicar por algum meio e então teria sido detectado (Telegraph).

Este também é o motivo do porquê o FBI não colocá-lo na lista de procurados. Questionado por que ele não é procurado pelo FBI por causa do 11/9, veio a resposta: “Nós não temos qualquer prova que Bin Laden tenha algo a ver com o 11 de setembro”. Veja aqui meu artigo sobre isso.

Mas eles não apenas não têm qualquer prova de sua autoria, como eles sabem também que ele morreu, por que eles devem então procurá-lo. Além disso, não é possível que o maior serviço secreto do mundo, a CIA, NSA etc, com seus recursos ilimitados e um orçamento acima de 50 bilhões de dólares anuais e, sobretudo, os demais serviços secretos aliados por todo o globo, assim como todo o aparato militar norte-americano com centenas de milhares de soldados que vasculharam cada quilômetro quadrado do Afeganistão, e todos aos quais for prometido a recompensa de 25 milhões de dólares, não estejam na condição de encontrar Bin Laden nestes lendários seis anos. Não se trata aqui de um fracasso total, caso contrário o presidente teria que demitir todo serviço secreto e comando militar por incompetência, e não é porque Bin Laden seja tão esperto e se esconde bem, mas eles não o encontram, pois Bin Laden já está morto há um longo tempo - e eles sabem disso.

Uma pequena piada en passant, 25 milhões parece ser muita coisa para Bin Laden, mas a transferência do jogador de Baseball Alex Rodriguez custou cerca de 252 milhões em 2001.

Tudo isso é um grande teatro e um show para manter a opinião pública na órbita de mal artificial. Se ele for declarado oficialmente como falecido, então desaba todo o castelo de cartas e o motivo da “Guerra contra o Terror”. Eles não teriam mais um inimigo contra o qual poderiam combater, que torne possível fazer guerra, suprimir a liberdade dos cidadãos, reforçar o Estado policial, garantir seus gigantescos orçamentos e possibilitar um enorme lucro aos conglomerados armamentistas. As medidas bélicas e de segurança são os maiores negócios que existem, ou seja, o “Terror” nunca pode parar, nunca pode haver paz, deve ser mantida a crença neste fantasma o máximo possível.

Também não é digno de nota, que o presidente Bush tenha dito sobre Bin Laden em uma entrevista à imprensa, a 13 de março de 2001, perguntado por jornalistas: “Eu não sei onde ele está. E para ser sincero, eu não tenho qualquer interesse nele”, ou seja, a procura por ele é irrelevante. (WH) Está claro também, quem iria se interessar por alguém que já morreu e o verdadeiro objetivo era mesmo preparar a invasão do Iraque, esta criminosa guerra de agressão com motivos inventados (SPIN) ao povo americano, embora ele tenha admitido que nem Saddam Hussein tenha algo com o 11 de setembro, nem exista qualquer ligação de Saddam com Bin Laden. (BBC)

Bin Laden e sua suposta rede de terror Al-Qaeda sempre são lembrados na ocasião oportuna por Bush, Blair e todos políticos europeus, quando eles querem colocar as pessoas em um estado de medo e pânico, quando eles querem novamente nos restringir a liberdade.

Seguem algumas frases de pessoas que confirmam a morte de Bin Laden:

O presidente paquistanês Musharraf: “Eu acredito que muito provavelmente Bin Laden está morto, pois ele não poderia ser continuamente tratado de sua insuficiência renal”. (CNN)

O presidente afegão Karsai: “Osama Bin Laden está provavelmente morto, mas o antigo chefe talibã Mullah Omar está ainda vivo”. (CNN)

O diretor do departamento anti-terror do FBI, Dale Watson: “Eu acredito que Bin Laden esteja morto”. (BBC)

O chefe-redator da londrina Arab News Magazine: “Nós publicamos o último desejo de Bin Laden que foi escrito no final de 2001 e mostrá-lo deitado prestes a morrer ou já morto”. (CNN)

O serviço secreto israelense: “Nós não vemos Bin Laden como um perigo e ele não está em nossa lista” (Janes) e ainda “Bin Laden morreu provavelmente na ocasião dos ataques dos norte-americanos em dezembro de 2001. O aparecimento de novas notícias e fotos são provavelmente uma fabricação”.

A CIA anunciou a 3 de julho de 2006, segundo o New York Times, que ela dispensou o departamento que se ocupava com Bin Laden. A missão da unidade denominada “Alec Station” foi encerrada no último ano e os agentes incumbidos com novas missões na luta contra o terror.

 Vídeo falso de Bin Laden
Nos últimos anos apareceram alguns vídeos de Bin Laden, mas foram desvendados pelos especialistas como falsificações. Na verdade nem é preciso ser um perito para ver imediatamente que trata-se de um ator que representa Bin Laden. Estes vídeos aparecem justamente quando a população norte-americana está diante de alguma decisão importante.

É assim que três dias antes das eleições para presidente a 30 de outubro de 2004, apareceu um vídeo desta natureza. (BBC) Quem se aproveitou da mensagem terrorista do falso Bin Laden, colocando medo nos eleitores. Bush naturalmente, ele foi eleito!
O “novo” Bin Laden
À esquerda vemos o verdadeiro Bin Laden e à direita, o falso, que nos é mostrado em vídeos desde 2002. A diferença é tamanha que qualquer comentário adicional é supérfluo.

Novas declarações sobre a morte de Bin Laden!
A 2 de novembro de 2007, o conhecido jornalista britânico David Frost entrevistou na TV Al-Jazeera a antiga chefe de governo e líder da oposição do Paquistão, Benazir Bhutto, que há pouco tempo foi assassinada por um disparo de pistola pelas costas. A senhora Bhutto faz uma declaração nesta oportunidade que confirma meu artigo acima até momento.

Ela disse, Osama Bin Laden está morto, e foi assassinado por Ahmed Omar Saeed Sheik. Esta declaração de uma pessoa que possui informações do serviço secreto confirma que Bin Laden já está morto há muito tempo e os políticos do ocidente, como Bush e Schäuble, o mantêm vivo artificialmente como fantasma, como imagem do inimigo e vigarista, para justificar suas medidas anti-terror e guerras.

Se ele morreu agora de sua deficiência renal, como os membros do talibã dizem, para transformá-lo em herói, ou ele foi assassinado pelos seus próprios companheiros, não tem importância. Importante é que ele está morto e já faz muito tempo.

Aliás, esta sensacional declaração de Bhutto, que revela a farsa desta “Guerra contra o Terror”, foi completamente boicotada pela mídia do Ocidente e este trecho da entrevista foi cortado. Com isso está provado que a grande mídia é cúmplice na propagação da mentira sobre Bin Laden e seu papel como líder terrorista. Ele não existe mais e todas suas mensagens, que sempre aparecem de tempos em tempos, são falsificações!


A 2 de outubro de 2008, o antigo diretor da CIA, Robert Baer declarou a uma rádio: “Mas é claro que Bin Laden está morto!”

O presidente paquistanês Asif Ali Zardafi declarou a 27 de abril de 2007 sobre Bin Laden: “Nosso reconhecimento acredita que ele esteja morto”. (Ria Novosti)


O professor David Ray Griffin apresenta minuciosamente em seu livro “Osama Bin Laden: Dead or alive?”, que Bin Laden está morto desde dezembro de 2001. Até o Bild Zeitung reportou a esse respeito.

Matéria reproduzida do original em Inacreditável, 02 de maio de 2011
Alles Schall und Rauch, 25 de maio de 2007.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Brasil está perto do pleno emprego

Entrevista com os professores Anselmo Luis dos Santos e José Dari Krein
29 de agosto de 2011
Paulo Daniel: Em sequência ao ciclo de entrevistas realizadas pelo Blog Além de Economia em conjunto com o site da revista CartaCapital, convidamos os professores Anselmo Luis dos Santos e José Dari Krein do Instituto de Economia da Unicamp e diretores do CESIT (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho).
Santos é economista, doutor em teoria econômica pela Unicamp e diretor-adjunto do CESIT. Krein é filósofo, doutor em economia social e do trabalho pela mesma universidade e, atualmente, exerce a diretoria executiva do CESIT.
Para ambos, não existe uma relação causal entre educação e geração de empregos; esses dependem das políticas macroeconômicas e de desenvolvimento. Além do que, compreendem que a economia brasileira não sofrerá grandes impactos negativos dos recentes desdobramentos da crise de 2008.
Confira abaixo a entrevista:
Blog Além de Economia/CartaCapital: No Brasil, no último período, gerou-se mais de 10 milhões de empregos qual a qualidade e a remuneração média dos empregos gerados?
Anselmo L. dos Santos e José D. Krein: A partir de 2004, com a maior taxa média de crescimento do PIB, observa-se um ritmo bem mais expressivo de geração de ocupações, suficiente para provocar uma progressiva redução das elevadíssimas taxas de desemprego. Mais importante ainda é o fato de que essa expansão da ocupação ocorreu num mesmo processo de melhoria da estrutura ocupacional – que havia passado por um forte processo de desestruturação no período 1990-2003. Num contexto de progressivo aumento do emprego formal – que vinha ocorrendo já desde 2000, com os impactos da desvalorização cambial de 1999 -, a partir de 2004 as melhores ocupações (emprego assalariado com carteira, de nível técnico, superior, dirigentes, profissionais das ciências e das artes etc) cresceram num ritmo maior do que as ocupações mais precárias (assalariamento sem carteira; trabalho por conta própria; atividades agrícolas e manuais, trabalhado não remunerado etc). E o universo de ocupações mais precárias melhorou significativamente com os impactos do aumento da formalização e do salário mínimo.
AE/CC: Qual interpretação podemos dar a esse processo recente de melhorias do mercado de trabalho brasileiro? Podemos, por exemplo, afirmar que estamos no pleno emprego?
ALS/JDK: Estamos vivenciando a reversão do processo de desestruturação do mercado de trabalho brasileiro. Após apresentar uma redução real muito expressiva, algo entre 17% no período 1997-2003, a remuneração do trabalho vem se recuperando com os fortes impactos do salário mínimo, da redução do desemprego, das negociações coletivas, dos reajustes para os servidores públicos, e também com os impactos do crescimento econômico sobre a renda dos autônomos, do trabalho doméstico e dos profissionais qualificados em atividades que apresentam escassez de força de trabalho. Significa que, em parte, o sentido desse processo é a recuperação do que foi perdido no período 1980-2003, em termos de taxa de assalariamento, de formalização, de redução do trabalho por conta própria e não remunerado – precários e informais -, de remuneração média do trabalho. Em alguns casos são evidentes os avanços, cujo significado foi maior do que uma recuperação, como é o caso do salário mínimo e da redução do desemprego.  Mas uma taxa de desemprego aberto metropolitana acima de 6%, com regiões e segmentos sociais apresentando taxas acima de 10%, e taxas de desemprego para o conjunto do país mais próximas de 7%, além de taxas de desemprego mais amplas (aberto e oculto) próximas de 10%, indicam que, apesar de baixo, não podemos caracterizar ainda uma situação de pleno emprego. Entretanto, se mantida a trajetória de crescimento do PIB de cerca de 4%, em média, até o final do Governo Dilma poderemos alcançar uma situação típica de pleno emprego de uma economia em desenvolvimento e de renda per capita média, isto é, reduzido desemprego aberto, mas elevada precariedade e informalidade do mercado de trabalho.
AE/CC: Da mesma maneira que há geração de emprego também há milhares de demissões isso pode ser entendido como rotatividade da mão-de-obra? Por que isso ocorre?
ALS/JDK: Esse foi um dos aspectos que não melhorou nesse ciclo recente. A rotatividade no emprego no Brasil é imensa; uma das maiores do mundo. E os nossos indicadores somente consideram os demitidos que tinham carteira assinada. Como é muito grande a parcela de assalariados sem carteira -  e nesses a instabilidade no emprego é ainda maior – a rotatividade no emprego é ainda maior do que as reveladas pelas nossas estatísticas disponíveis. O mercado de trabalho brasileiro é muito flexível. Diferentemente de outros países, no Brasil não existem mecanismos contra a despedida imotivada, pois o empregador tem a liberdade de romper o vínculo sem precisar justificar. A demissão é uma questão monetária, de indenização. Como os empregados demitidos tendem a ser aqueles com menor grau de instrução e qualificação, os que conformam o mercado geral de trabalho, que são facilmente substituíveis e que ganham menos. O custo de demitir é relativamente baixo. As facilidades de despedir, faz com que muitos setores utilizem a estratégia de ajustar o volume da força de trabalho a sazonalidade da atividade econômica. Mas também sabemos que para uma parte dos trabalhadores – daqueles sem carteira assinada, com baixa remuneração, sem perspectiva de carreira, especialmente na micro e pequena empresa – também há uma lógica que contribui para essa elevada rotatividade. Os dados da PNAD de 2009 mostram que há mais trabalhadores ocupados procurando emprego, do que trabalhadores desocupados; até 2006, eram os desocupados que constituíam a maioria dos que procuravam emprego. Ou seja, com a forte expansão do emprego e abertura de novas e melhores oportunidades, são aqueles que já estão incorporados ao mercado de trabalho – e não os jovens e os desempregados – que mais buscam conquistar as melhores vagas abertas. Isso é uma das expressões da rotatividade no emprego num período de crescimento econômico. A rotatividade é fenômeno vinculado com a própria disponibilidade de força de trabalho. Existem pessoas necessitando ter renda, submetendo-se as condições mais precárias de trabalho. Além disso, a rotatividade tem relação com a estrutura econômica do país, que tende progressivamente gerar posto de trabalho em setores mais inseguros e instáveis.
AE/CC: Pode-se afirmar que há uma relação entre geração de emprego e educação, ou seja, para um indivíduo estar empregado é essencial que se tenha um determinado nível educacional?
ALS/JDR: Educação universal e de boa qualidade é sempre bom, inclusive para o mercado de trabalho. Mas não há uma relação causal entre educação e geração de empregos; esses dependem das políticas macroeconômicas e de desenvolvimento – dentre as quais a educação é importante, mas é apenas uma. Veja o que ocorre com a situação do emprego em vários países da Europa que apresentam excelentes níveis educacionais: desemprego em massa; mercados de trabalho precarizados; pessoas muito bem formadas sem nenhuma perspectiva de encontrar um emprego – mesmo que precário. Num país imenso como o Brasil, e com um sistema educacional lamentável, um indivíduo com boa qualificação tem mais facilidade para arrumar um bom emprego; vai tirar a vaga dos outros que provavelmente não tiveram as mesmas oportunidades que ele. Então, quando se olha para a lógica do indivíduo se perde o mais importante: a lógica do conjunto da sociedade, da economia e do mercado de trabalho. Se não há expansão do emprego total, a melhoria na educação não viabiliza um aumento do volume de ocupados; pode contribuir para aumentar a competição entre os trabalhadores, reduzir salários, melhorar a capacidade das empresas disciplinar os trabalhadores e reduzir seus custos de trabalho. Então, temos que pensar que a defesa da educação, e também da formação e qualificação profissional são tão importantes que transcendem as suas relações com a geração de emprego, alcançando as questões mais amplas ligadas à capacidade de ganhar autonomia na pesquisa e na inovação tecnológica, aumentar a produtividade, mas também criar condições para que do ponto de vista da cultura, dos valores, da prática política e da sociabilidade possamos alcançar patamares compatíveis com os ideais de reforçar a perspectiva civilizatória.
AE/CC: Vivemos um apagão de mão-de-obra?
ALS/JDK: Creio que não é necessário exagerar na caracterização do problema: há falta sim de força de trabalho qualificada; mas ela está principalmente localizada em alguns segmentos que apresentaram maior dinamismo nos últimos anos e que haviam ficado por muito tempo estagnados, como é o caso exemplar da construção. As queixas são também amplificadas pelo fato de que por muito tempo os salários no Brasil ficaram deprimidos; agora com a redução do desemprego e o aumento de boas oportunidades, os trabalhadores conseguem encontrar emprego com rendimento mais elevado, mas muitos empresários acham esse patamar salarial incompatível com seus custos ou suas políticas de recursos humanos definidas com os parâmetros de um país de desemprego recorde e salários baixíssimos. Em muitos casos, os salários apenas recuperaram seus valores do início dos anos 90; em alguns casos ainda estão abaixo do seu valor real de 1980. Quando o desemprego era recorde, no final dos 1990 e início dos 2000, o discurso para os “inempregáveis” responsabiliza-os pelo desemprego, em função de sua suposta baixa formação e qualificação profissional. Mesmo com essa perspectiva neoliberal hegemônica, a educação não foi profundamente alterada e os cursos de qualificação com os bilhões de reais do Fundo de Amparo ao Trabalhador pouco contribuíram para melhorar a situação. Naquele momento o “apagão” era de emprego, de perspectiva para os trabalhadores. Poucos se interessaram pelo problema quando sobrava força de trabalho, inclusive qualificada. Agora estão correndo e, ao mesmo tempo, reclamando, não se sabe de quem, pela escassez de força de trabalho qualificada e elevados salários.
AE/CC: Com a crise econômica e financeira internacional no dito mundo desenvolvido, quais os mecanismos ou as ferramentas que teríamos para enfrentá-la visando a manutenção dos empregos e da renda dos(as) brasileiros(as)?
ALS/JDK: Novamente parece que a economia brasileira não sofrerá grandes impactos negativos dos recentes desdobramentos da crise de 2008. Enquanto muitos países já têm suas taxas de juros muito baixa, a nossa é a mais elevada do mundo. Então temos um fôlego na política monetária, para estimular a elevação do nível de atividade econômica com a redução da taxa de juros. E essa redução poderá até mesmo significar uma virada na nossa política monetária, colocando a taxa de juros, de forma mais sistemática, num patamar bem mais reduzido. O mesmo vale para os depósitos compulsórios e para algumas medidas “macroprudenciais”, pois caso necessário podem ser também revertidas ou modificadas para estimular o crédito e ampliação do consumo e do investimento. O nosso reduzido grau de abertura ao comércio exterior, assim como o amplo e dinâmico mercado interno também nos distinguem de outras economias estagnadas. Também do ponto de vista fiscal a situação brasileira é muito melhor do que a de muitos países, e pode melhorar com a redução futura da taxa de juros, permitindo a ampliação do investimento público, a manutenção da importante política de valorização do salário mínimo e de outras políticas sociais sem a deterioração das contas públicas.
AE/CC: Quais as tendências recentes nas relações de trabalho?
ALS/JDK: Ao mesmo tempo que houve um crescimento da ocupação, especialmente com o emprego com carteira assinada, e a queda do desemprego, continuou avançando um processo de flexibilização das relações de trabalho em aspectos centrais da relação de emprego, tais   como o avanço da remuneração variável, da jornada de trabalho e da multiplicação das formas de contratação (“Pejotização”, contratação a termo, cooperados, etc.).


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Terror europeu ataca na Líbia

Testemunho: Thierry Meyssan e o massacre de Sorman na Líbia
Quinta, 21 Julho 2011 02:00
Desta vez, Thierry Meyssan não nos fornece uma análise fria das evoluções geopolíticas. Em vez disso, relata-nos fatos e acontecimentos que ele próprio testemunhou: a história do seu amigo, o engenheiro Khaled K. el-Hamedi. Uma história de horror e sangue onde a OTAN encarna o retorno à barbárie.

Era uma festa de família Líbia. Todos tinham vindo celebrar o terceiro aniversário do pequeno Al-Khweldy. Os avós, os irmãos e irmãs, primos e primas se apertavam para caber na propriedade familiar de Sorman, a 70 quilômetros a oeste da capital: um vasto parque no qual foram construídas pequenas casas de uns e de outros, casas sóbrias de estilo bangalô.
Nenhum luxo extravagante, mas a simplicidade das pessoas do deserto. Um ambiente agradável e de união. O avô, o marechal Al-Khweldy al-Hamedi, tinha em tempos uma criação de pássaros. Era um herói da Revolução e participara da queda da monarquia e da liberação do país da exploração colonial. Todos orgulham-se dele. O filho, Khaled al-Hamedi, presidente da IOPCR, uma das mais importantes associações humanitárias árabes, tinha ele próprio uma criação de veados. Cerca de três dezenas de crianças corriam de um lado para o outro no meio dos animais.
Preparava-se igualmente o casamento do seu irmão Mohammed, que tinha partido para a frente de batalha combater os mercenários estrangeiros contratados pela OTAN. A cerimônia deveria ter-se passado aqui dentro de alguns dias. A sua noiva estava já radiante.
Ninguém tinha reparado que, no meio dos convidados, encontrava-se um espião infiltrado. Parecia estar a mandar twitters aos seus amigos. Na realidade, acabara de colocar marcadores pela propriedade e estava utilizando a rede social para conectá-los ao quartel general da OTAN.
Na manhã seguinte, na noite de 19 para 20 de junho 2011, por volta das 2h30 da manhã, Khaled está de volta para casa depois de ter visitado e socorrido os seus compatriotas que fugiram dos bombardeamentos da OTAN. Está próximo de sua casa e consegue ouvir o sibilar dos mísseis bem como a sua posterior explosão.

Mais de 30 mil bombas e mísseis já foram lançados contra o território líbio. Verdadeiro genocídio em que já foram mortas cerca de 50 mil pessoas.
A OTAN atira oito deles, de 900 quilos cada um. O espião tinha colocado marcadores nas diferentes casas. Nos quartos das crianças. Os mísseis caíram com alguns segundos de intervalos. Os avós tiveram tempo de sair de sua casa antes de ser destruída. Já era tarde demais para salvar as crianças. Quando o último míssil caiu na casa deles, o marechal teve o reflexo de proteger sua esposa com o seu próprio corpo. Tinha acabado de sair pela porta quando foram projetados pela explosão por cerca de 15 metros. Sobreviveram.
Quando Khaled chegou, era tudo desolação. A sua esposa, que amava tanto, e o bebê por nascer desapareceram. Os seus filhos, pelos quais teria dado tudo, foram despedaçados pelas explosões e queda dos tetos.
Khaled al-Hamedi, presidente da IOPCR (International Organization for Peace Care and Relief), uma das mais importantes associações humanitárias árabes, perdeu toda sua família: a esposa grávida a filha de 6 anos de idade e o filho de  4 anos
As casas são agora só ruínas. Doze corpos destroçados jazem debaixo dos escombros. Veados foram atingidos pelos destroços que agora agonizam dentro das cercas.
Os vizinhos, que vieram em auxílio, procuram silenciosamente provas de vida nos escombros. No entanto não existe nenhuma esperança. As crianças não tinham qualquer hipótese de escapar dos mísseis. Extrai-se o cadáver de um bebé decapitado. O avô recita alguns versos do Corão. A sua voz é firme. Não chora, a dor é demasiado forte.
Em Bruxelas, os porta-vozes da OTAN declararam ter sido bombardeado a sede de uma milícia pro-Kadhafi com o objetivo de proteger a população civil do tirano que a reprime.
Ninguém sabe como a coisa fora planejada pela Comissão de alvos, nem como o estado-maior seguiu o desenrolar da operação. O Pacto Militar, os seus generais elegantes e os seus diplomatas pensadores, decidiram assassinar crianças das famílias dos líderes líbios para desencorajar a sua resistência psicologicamente.

Infiltrado numa festa familiar o espião colocou marcadores de alvos na residência. Pelo twitter conectou-os ao quartel-general da OTAN. Na madrugada os aviões lançaram 8 mísseis de 900 quilos cada nos alvos marcados nos quartos e aposentos da residência.
Desde o século 13, os teólogos e juristas europeus proíbem o assassinato de famílias. É um dos fundamentos da civilização cristã. Só a mafia poderia ultrapassar tal tabu absoluto. A mafia agora é a OTAN.
No dia 1º de Julho, quando 1,7 milhões de pessoas se manifestavam em Trípoli para defender o seu país contra a agressão estrangeira, Khaled foi para a frente de batalha socorrer refugiados e feridos. Snipers o esperavam. Tentaram abate-lo. Foi atingido com gravidade, mas segundo os médicos ele não está em perigo de vida.



Em Bruxelas, os porta-vozes da OTAN declararam ter bombardeado a sede de uma milícia pró-Gaddafi.
O ataque foi planejado pela Comissão de Alvos. O Pacto Militar, seus generais e diplomatas, decidiram assassinar crianças para desencorajar a resistência dos pais.

A OTAN ainda não terminou o trabalho sujo.

Em um dia OTAN mata 1.300 e fere 5.000 líbios

Carnificina em Trípoli
por Thierry Meyssan
Desde Trípoli, Thierry Meyssan relata a carnificina da qual é testemunha.
Artigo publicado Segunda-feira pelas 0h35.
Rede Voltaire | Trípoli (Líbia) | 22 de Agosto de 2011
Sábado 20 de Agosto 2011, pelas 20h, ou seja, na altura do Iftar, rompeu-se o jejum do Ramadan (رَمَضَان) quando a Aliança atlântica lançou a "Operação Sereia"
As Sereias são os alto-falantes das mesquitas que foram usadas pela Al-Qaeda para lançar um apelo de modo a iniciar as revoltas. Logo de seguida, células adormecidas de rebeldes entraram em ação. Tratam-se de pequenos grupos de extrema mobilidade que multiplicaram os ataques. Os combates durante a noite fizeram 350 mortos e 3000 feridos.
A situação estabilizou durante o dia de Domingo.
Um navio da OTAN acostou em Trípoli, fornecendo armas de alto calibre e desembarcando jihadistas da Al Qaeda, contratados pelos oficiais da OTAN.
Os combates retomaram durante a noite. Atingiram um pico de violência extrema. Os drones e os aviões da OTAN bombardeiam em todas as direções. Os helicópteros metralham as pessoas nas ruas de forma a abrir caminho aos jihadistas.
No início da noite, uma escolta de veículos oficiais transportando personalidades de primeiro escalão foi atacado. Refugiaram-se no Hotel Rixos onde se encontra a imprensa estrangeira. A OTAN não se atreveu a bombardear por causa dos jornalistas. O Hotel Rixos, onde me encontro, está sob fogo constante.
Às 23h30, o ministério da Saúde constatou que os hospitais se encontravam saturados. Contavam-se no início da noite 1300 mortos e 5000 feridos.
A OTAN recebeu esta missão do Conselho de Segurança da ONU para proteger os civis. Na realidade, a França e o Reino-Unido recomeçaram com os massacres coloniais.
À 1h00 Khamis Kadhafi vem em pessoa trazer armas para defender o hotel. Foi-se embora após entregar as armas. Os combates são extremamente duros nos arredores.
Thierry Meyssan
Tradução: David Lopes

As fotos dos "rebeldes líbios" são encenações

Entrevista com Thierry Meyssan
"É a NATO que faz todo o trabalho militar, não os rebeldes"
por Silvia Cattori
Conseguimos falar com Thierry Meyssan nas horas mais escuras e trágicas para muitos líbios que se opuseram à intervenção da OTAN em 21 de Agosto de 2011 às 23h00 - em oposição à bobagem dita por Bernard-Henri Levy. 
Rede Voltaire | 23 de Agosto de 2011 
Silvia Cattori: Aqui tem-se o sentimento de que Tripoli está em vias de colapso. Qual é a vossa opinião?
Thierry Meyssan: Estamos encerrados no Hotel Rixos. Não se pode dizer se tudo vai afundar ou não. Mas a situação é muito tensa. Ontem à noite, no momento da oração, várias mesquitas foram trancadas. De repente, alto-falantes lançaram o apelo à insurreição. Neste momento grupos armados começaram a percorrer a cidade e a atirar para todo lado. Soubemos que a NATO trouxe um barco até as proximidades de Tripoli, do qual foram desembarcadas armas e forças especiais. Desde então as coisas vão cada vez pior.
Silvia Cattori: Trata-se de "forças especiais" estrangeiras?
Thierry Meyssan: Pode-se supor, mas não estou em condições de verificar. Mesmo que estas "forças especiais" sejam formadas por líbios todo o seu enquadramento é estrangeiro.
Silvia Cattori: Qual é a nacionalidade destas "forças especiais"?
Thierry Meyssan: São franceses e britânicos! Desde o princípio, são eles que fazem tudo.
Silvia Cattori: Como é que tudo ruiu subitamente?
Thierry Meyssan: Em 21 de Agosto, no fim do dia, um comboio de viaturas com oficiais foi atacado subitamente. Para se porem ao abrigo dos bombardeamentos os membros deste cortejo refugiaram-se no Hotel Rixos, onde reside a imprensa internacional e onde por acaso me encontro eu.
A partir deste momento o hotel Rixos está cercado. Toda a gente veste colete anti-balas e capacetes. Ouve-se atirar em todos os sentido em torno do hotel.
As forças entradas em Tripoli desde ontem não tomaram nenhum edifício em particular; elas atacaram alvos em certos lugares ao deslocarem-se. Neste momento não há nenhum edifício ocupado. A NATO bombardeia de maneira aleatória para aterrorizar sempre mais. É difícil dizer se o perigo é tão importante quanto parece. As ruas da cidade estão vazias. Toda a gente permanece encerrada na sua casa.
Estamos prisioneiros no hotel. Dito isto, há electricidade e água, não nos estamos a queixar. Os líbios sim. Agora há tiros em redor, uma batalha intensa; já há numerosos mortos e feridos em algumas horas. Mas nós somos preservados. Estamos todos reagrupados na mesquita do hotel. Você ouve tiros neste momento.
 
Silvia Cattori: Quantos assaltantes cercam vosso hotel neste momento?
Thierry Meyssan: Sou incapaz de dizer. É um perímetro bastante grande porque há um parque em torno do hotel. Penso que se não houvesse senão os assaltantes não seria tão simples tomar Tripoli. Mas se há outras tropas da NATO com eles sim, isso muda tudo, o perigo torna-se grande.
Silvia Cattori: Nas imagens difundidas pelas televisões daqui vê-se que ao longo destes seis meses são excitados que atiram para o ar e que não parecem profissionais...
Thierry Meyssan: Viu-se com efeito bandos que se agitam e que não são formados militarmente. É pura encenação, não é realidade. A realidade é que todos os combates são travados pela NATO; e quando seu objectivo é atingido as tropas da NATO retiram-se. Então chegam pequenos grupos – vê-se de cada vez uma vintena de pessoas – mas na realidade nunca são vistos em acção. A acção são as forças da NATO.
Foi assim que se passou sempre nas cidades que foram tomadas, perdias, retomadas, reperdidas, etc... E cada ocasião são as forças da NATO que chegam em helicópteros Apaches e metralham todo o mundo. Ninguém pode resistir, no terreno, face a helicópteros Apaches que bombardeiam; é impossível. Portanto não são os rebeldes que fazem o trabalho militar, isso é anedota! É a NATO que faz tudo. Depois de eles se retirarem, então vêm "os rebeldes" fazer a figuração. É isso que você vê difundido nas cadeias de TV.
Silvia Cattori: Sabe-se quantos "rebeldes" em armas entraram em Tripoli esta noite? E se células dormentes já estavam lá?
Thierry Meyssan: Sim, com certeza, há células dormentes em Tripoli; é uma cidade com um milhão e meio de habitantes. Que haja células combatentes no interior e perfeitamente provável. Quanto aos assaltantes, mais uma vez, não sei qual é a proporção do enquadramento pelas forças da NATO. A verdadeira questão é saber quantas forças especiais já foram colocadas.
Há agora forças militares do coronel Kadafi na cidade. Elas chegaram bastante tardiamente do exterior. Os assaltantes cercam o hotel. Penso que é impossível esta noite tentarem um assalto contra o hotel.
Silvia Cattori: Houve pânico entre as pessoas que residem no hotel?
Thierry Meyssan: Sim, jornalistas residentes aqui no hotel Rixos entraram completamente em pânico. É um pânico geral.
Silvia Cattori: E você como se sente?
Thierry Meyssan: Eu tento permanecer zen nestas situações!
Silvia Cattori: Quantos jornalistas estrangeiros estão entrincheirados no hotel?
Thierry Meyssan: Eu diria entre 40 e 50.
Silvia Cattori: As pessoas ignoram que onde há jornalistas que cobrem a guerra há sempre um bom número deles que faz informação, que são agentes duplos, espiões...
Thierry Meyssan: Há espiões por toda a parte; mas penso que eles não sabem tudo.
Silvia Cattori: Diz-se aqui que o plano para evacuar os estrangeiros está pronto. Eles vão poder sair...
Thierry Meyssan: A Organização de Emigração Internacional tem um barco que está prestes a atracar no porto de Tripoli para evacuar os estrangeiros, nomeadamente a imprensa, prioritárias neste caso.
Silvia Cattori: E você o que pensa fazer?
Thierry Meyssan: Por enquanto o barco está ao largo; ele não entrou no porto. É a NATO que o impede de atracar. Quando a NATO o autorizar será feita a evacuação.
Silvia Cattori: Esta evolução vos surpreende?
Thierry Meyssan: As coisas aceleraram-se quando chegou o barco da NATO. São combatentes pertencentes às forças especiais da NATO que estão aqui no terreno e é evidente que tudo pode cair rapidamente...
Silvia Cattori: Os citadinos estão todos munidos de fuzis se diz?
Thierry Meyssan: O governo distribuiu quase dois milhões de kalachnikovs no país para assegurar a defesa frente a uma invasão estrangeira. Em Tripoli, todos os cidadãos adultos receberam uma arma e munições. Houve um treino nestes últimos meses.
Silvia Cattori: Os líbios que quisessem não estão em condições de sair para manifestarem-se contra as forças da NATO?
Thierry Meyssan: As pessoas estão paralisadas pelo medo; atira-se de toda a parte; e além disso bombardeia-se.
Silvia Cattori: Vossa posição não é fácil. Entre os jornalistas você deve ter inimigos que querem a vossa pelo por ter contraditado suas versões dos factos!
Thierry Meyssan: Sim. Já fui ameaçado por jornalistas estado-unidenses que disserem que querem matar-me. Mas a seguir apresentaram as suas desculpas... Não tenho dúvida nenhuma sobre suas intenções.
Silvia Cattori: Eles proferiram esta ameaça diante de testemunha?
Thierry Meyssan: Sim, na presença de [...].

Em meio aos ataques da OTAN em Trípoli, o presidente da Rede Voltaire também pôde se exprimir por vídeo às 2:00 da manhã. As comunicações ficaram extremamente difíceis desde então. Apesar do que a OTAN, a CNT e a mídia que os apoiam já estavam falando sobre a queda do Trípoli, a situação parece ter mudado de forma dramática.
A última mensagem de Thierry Meyssan, datada das 04:30h desta terça-feira 23 de agosto, fala de grande "vitória" dos legalistas. Segundo ele, os atacantes foram esmagados, "os mísseis solo-ar foram então lançados sobre a cidade" enquanto "a OTAN parava os bombardeios".
"Saif al-Islam, filho de Gadaffi que a imprensa informara ter sido aprisionado pelos rebeldes, surgiu seguro no Hotel Rixos e foi aplaudido pela multidão em Bab Al Azizia".
A realidade parece, mais uma vez, distanciada de sua representação midiática.
Saif al-Islam apareceu na madrugada de ontem em Trípoli no meio da euforia dos seus apoiantes

Original em:
http://www.voltairenet.org/E-a-NATO-que-faz-todo-o-trabalho



A Rede Voltaire Internacional é uma rede de imprensa não-alinhada, especializada em análise das relações internacionais, criada em 2005 pela iniciativa do intelectual francês Thierry Meyssan.
Emergindo de meios políticos, sociais e culturais dos mais variados, os membros da Rede Voltaire identificam-se com os dez princípios enunciados em 1955 pela conferência de Bandung:
   1. Respeito dos direitos fundamentais, de acordo com a Carta da ONU
   2. Respeito da soberania e integridade territorial de todas as nações.
   3. Reconhecimento da igualdade de todas as raças e nações, grandes e pequenas.
   4. Não-intervenção e não-ingerência nos assuntos internos de outro país. (Autodeterminação dos Povos)
   5. Respeito pelo direito de cada nação defender-se, individual e colectivamente, de acordo com a Carta da ONU
   6. Recusa na participação dos preparativos da defesa colectiva destinada a servir aos interesses particulares das superpotências.
   7. Abstenção de todo acto ou ameaça de agressão, ou do emprego da força, contra a integridade territorial ou a independência política de outro país.
   8. Solução de todos os conflitos internacionais por meios pacíficos (negociações e conciliações, arbitragens por tribunais internacionais), de acordo com a Carta da ONU.
   9. Estímulo aos interesses mútuos de cooperação.
10. Respeito pela justiça e obrigações internacionais.A Rede Voltaire não tem por objectivo a promoção de uma ideologia ou de uma visão do mundo, mas sim o desenvolvimento de um espírito crítico dos seus leitores. Privilegia a reflexão em vez de crenças, e dos argumentos em vez de convicções.





quarta-feira, 24 de agosto de 2011

domingo, 21 de agosto de 2011

Paulo Nakatani e o desenvolvimento do Brasil

"Não há modelo que torne o Brasil equivalente aos desenvolvidos"
21 de agosto de 2011

Paulo Daniel: Dando prosseguimento ao ciclo de entrevistas do Blog Além de Economia em conjunto com o site da revista CartaCapital com o objetivo de compreender e avaliar a crise financeira e econômica mundial, convidamos para esta terceira rodada o Professor Paulo Nakatani.
Paulo Nakatani é economista, com pós-doutorado pela Université Paris XIII (Paris Nord), professor associado da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e Presidente da SEP – Sociedade Brasileira de Economia Política.
Para o professor da UFES, atualmente não existe nenhum modelo que venha a produzir um desenvolvimento econômico e social brasileiro, dentro dos marcos do capitalismo, que torne o nosso país independente e equivalente aos chamados desenvolvidos.
Confira abaixo a entrevista:

Além de Economia/CartaCapital: Qual a leitura que o Sr. faz da crise?
Paulo Nakatani: Costuma-se considerar que a crise é financeira, eu a interpreto como o resultado das contradições internas à acumulação do capital. Ela faz parte intrínseca dessa dinâmica e se manifesta periodicamente. A dinâmica da acumulação exige a ocorrência de crises periódicas, como meio de regenerar o capital em geral através da supressão dos capitais menos produtivos ou supérfluos. No momento da crise, eles são desvalorizados e incorporados pelas unidades de capital mais avançados e mais poderosos. Assim, não estou de acordo com as opiniões que consideram a crise como acidente de percurso, seja devido ao governo ou qualquer tipo de interferência “externa” à economia.
A crise mais recente apresentou como particularidade o gigantesco volume de capital acumulado na esfera financeira, sob a forma de capital fictício, que pressionou fortemente a esfera produtiva extraindo volumes crescentes de excedente. A necessidade de desvalorização desse capital vem se manifestando desde a chamada crise financeira do México, em 1994, e continuou com as crises desencadeadas na  Rússia, Malásia, Tailândia, Indonésia, Brasil e, em 2002, nos Estados Unidos. Todas elas produziram uma desvalorização de parte do capital fictício, mas a superação dessas crises foi obtida exatamente com a recomposição dessa forma de capital.
Da mesma forma, as medidas anti-crise tomadas em 2008 e 2009, pelos governos dos EUA, da Europa e Japão, também foram para recompor o capital fictício. Mais ainda, as medidas atuais, nas crises da Irlanda, Grécia, Portugal e Espanha, o Banco Central Europeu está exatamente criando mais capital fictício, comprando títulos da dívida pública desses países.

AE/CC: Geralmente a grande mídia tenta colocar a culpa da crise na má condução das políticas fiscais dos Estados, este é o verdadeiro problema?
PN: É verdade que a política fiscal pode ser mal conduzida, pode ser equivocada, sofrer  de corrupção e desvios de recursos ou apresentar déficits fiscais que aumentam a dívida pública e os serviços dessa dívida. Mas, este não é o problema, a crise decorre da dinâmica própria do capital, ou seja o problema está no capital. A oposição entre Estado [capitalista] e Mercado [capitalista] é falsa, ambos são elementos integrantes da sociedade capitalista e foram constituídos na mesma gênese.
As políticas fiscal e monetária são instrumentos e mecanismos através do qual o Estado capitalista procura gerenciar a dinâmica e os rumos da acumulação do capital em geral e alterar a dinâmica da crise, mas não pode suprimi-la. Elas aparecem como se fossem problema quando a crise do capital aparece como, ou acaba sendo confundida com, crise do Estado, e a grande mídia tem um papel fundamental na construção e difusão dessas ideias falsas e equivocadas.

AE/CC: É evidente, que o governo da Presidenta Dilma Rousseff é uma continuidade do governo do ex-Presidente Lula. A estrutura econômica que aí está deriva dos pilares da formação do Plano Real, neste sentido, é possível comparar os governos de Lula e FHC? Há mais semelhanças ou diferenças?
PN: A estrutura econômica brasileira não deriva diretamente do Plano Real, mas da dinâmica da acumulação mundial e da histórica inserção subordinada do Brasil a essa dinâmica. A política macroeconômica implementada após o colapso do Plano Real, em 1998, é que continua a mesma, com a política de metas de inflação, metas de superavit primário e taxa de câmbio flutuante. O governo Lula até avançou mais na abertura do país ao capital especulativo e parasitário, mas teve que recuar parcialmente após a crise de 2008. Durante os oito anos do seu governo, as despesas na conta chamada de investimento em carteira totalizaram 108,6 bilhões de dólares e o movimento médio mensal de entrada e saída desses capitais especulativos, no segundo governo, foram de 32,1 bilhões de dólares, mais de um bilhão por dia.
Mas, por outro lado, melhorou os programas focalizados de assistência social e um pouco a distribuição de renda, assim como adotou uma política anti-cíclica, em 2008, mais heterodoxa.

AE/CC: A Presidenta Dilma em conjunto com o Ministro Mantega afirmaram que o Brasil não está imune a crise mundial, mas temos instrumentos para enfrentá-la. Seria possível o nosso país crescer mesmo com a crise econômica e financeira que assola o mundo? Os instrumentos para enfrentar a crise de 2008 não estão esgotados?
PN: O Brasil não está imune aos impactos da crise mundial e nem de suas próprias crises internas. As políticas anti-crise, através dos instrumentos de política econômica e dos recursos disponíveis podem, no máximo, amenizar os seus efeitos mais perversos sobre os trabalhadores assalariados ou por conta própria. O resultado das medidas de 2008 foi uma queda pequena do PIB, que teria sido muito maior sem aquelas medidas. Mesmo que esses instrumentos não estejam esgotados, o efeito da crise pode ser grave.
Se os impactos da crise sobre a balança comercial forem muito elevados com redução da quantidade exportada e dos preços das commodities, o efeito sobre o emprego e a renda dos trabalhadores serão grandes, mas não é possível dizer o quanto.
Se somarmos os impactos da esfera financeira, o problema poderá ser muito maior. Segundo os dados do Banco Central, o passivo externo chegou a quase 1,4 trilhão de dólares, em março de 2011, com cerca de 50% em capitais especulativos, ações e títulos de renda fixa. Uma fuga maciça desses capitais poderia colocar o país em situação de insolvência, dado que as reservas cobrem apenas a metade desse montante. Mas, as políticas anti-crise dos EUA e da União Européia podem estimular ainda mais o ingresso dos capitais especulativos devido à elevadissima taxa de juros, como aconteceu em 2008, e o resultado será um crescimento das despesas com a remessa de rendas e ganhos de capital.

AE/CC: Muitos economistas, políticos, sociólogos afirmam que o neoliberalismo acabou, mas ao mesmo tempo não surgiu uma alternativa concreta para enfrentá-lo. Por quê?
PN: O neoliberalismo não acabou, como instrumento de intervenção estatal ele fundamenta e justifica as linhas gerais das políticas econômicas de quase todos os países capitalistas do mundo. Nenhum país que adotou a livre mobilidade de capitais, que liberalizou o comércio internacional e que privatizou as empresas e atividades estatais voltou atrás nessas medidas, salvo em alguma medida pontual tomada como resposta aos impactos da crise de 2008. O neoliberalismo também não acabou como ideologia, continua sendo o principal argumento para justificar o desmonte dos mecanismos e instituições voltados ao bem-estar da população, em particular a previdência, a assistência social, a saúde e a educação. Essa ideologia foi usada para avançar contra estas políticas nos países europeus em crise, como a Grécia, Irlanda e Portugal.
A alternativa para enfrentá-lo existe, mas encontra-se debilitada pelas derrotas políticas e ideológicas sofridas nas últimas décadas decorrente, entre outros, da dissolução da União Soviética e da abertura da China ao mercado capitalista. O avanço da ideologia neoliberal acabou com a maior parte dos partidos, e muitos intelectuais, que reivindicavam o socialismo ou o comunismo e converteram-se à ideologia neoliberal. Além disso, a luta de classes concreta, hoje, costuma aparecer como manifestação contra algum aspecto parcial do desenvolvimento capitalista e não contra o neoliberalismo.

AE/CC: Em meio a esta tormenta é possível pensar e realizar uma nova forma de desenvolvimento econômico e social brasileiro? Há algum modelo?
PN: Não há nenhum modelo que produza um desenvolvimento econômico e social brasileiro, dentro dos marcos do capitalismo, que o torne independente e equivalente aos chamados desenvolvidos. As perspectivas no momento são de uma reprimarização da economia, já presente na balança comercial, de aumento da dependência e subordinação ao capital internacional, com uma elevada sangria na conta de remessas de lucros e ganhos de capital, e de continuidade dos movimentos cíclicos de crescimento e queda, seja devido às crises internacionais ou às próprias contradições da acumulação interna de capital.




sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Cameron & Johnson: baderneiros gratuitos

Quando David Cameron e Boris Johnson quebravam vitrinas
por Marco D'Eramo

O primeiro-ministro é descendente ilegítimo do rei William IV e sua amante Dorothea. O primeiro-ministro conservador, que agora troveja contra os vândalos, há 24 anos, foi salvo da prisão pela carteira do papai.

Numa cidade inglesa uma gang de jovens quebra uma vitrina, foge na noite e corre para o jardim botânico. A polícia os persegue, apanha alguns com seus celulares e os põe na prisão.
O problema é que não estamos falando de um episódio ocorrido nestes dias. E os jovens detidos não são desordeiros sub-proletários. Não, o episódio aconteceu há 24 anos em Oxford e os 10 jovens eram todos membros do Bullington Club, uma associação estudantil oxfordiana com 150 anos de idade, famosa pelas suas travessuras estudantis, suas bebedeiras e por considerar a vandalização de lojas e restaurantes como a melhor das distrações. Os problemas com donos de restaurantes, comerciantes e de denúncias à polícia são resolvidos com algumas lautas indenizações vindas das gordas carteiras paternais. Algumas horas antes, os dez bravos jovens fizeram-se retratar nos degraus de uma grande escada, todos com uniforme do clube, roupa de gala a 1000 libras esterlinas (1150 euros, R$2.620,00) cada uma. Dentre eles destaca-se um jovem David Cameron e um igualmente imberbe Boris Johnson.
Acontece que hoje Cameron é o primeiro-ministro conservador da Inglaterra e Johnson é o prefeito conservador da Grande Londres. E ambos trovejam contra os vândalos que destroem as propriedades privadas. Ambos defendem a linha dura, a mão de ferro. Cameron quer recorrer ao exército e censurar as redes sociais; Johnson quer aumentar os efetivos da polícia. Nem mesmo um mínimo de compreensão por quem não faz outra coisa, no fundo, senão emular os seus gestos de outrora.
Mas, evidentemente, é característico da mentalidade de um filho de papai considerar que os outros não podem – e não devem – permitir-se aquilo que lhes foi permitido, a eles, por direito de nascimento e de extrato social.
David Cameron nasceu em 1966, filho de um pai agente da bolsa e de uma mãe filha de um baronete: o atual primeiro-ministro gosta de divulgar que é o descendente ilegítimo do rei William IV e da sua amante Dorotéia, e portanto que é um parente longínquo da rainha Elisabeth II. Snob típico, Cameron foi enviado aos sete anos para Heatherdown, escola preparatória frequentada também pelos príncipes Andrew e Edward, escola cuja atitude de classe era sem equívocos: nos dias de excursão, as toilettes portáveis eram designadas de "Ladies", "Gentlemen" e "Chauffeurs". E quando Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra, a escola comemorou com uma partida de cricket improvisada de alunos contra professores. Para os estudos ginasiais Cameron foi enviado à mais prestigiosa escola privada da Inglaterra, Eton (a taxa anual é de 27 mil libras esterlinas, cerca de 31 mil euros, R$71.000,00), a forja da classe dominante (Boris Johnson também foi seu colega de classe em Eton): é curioso que na Grã-Bretanha as escolas privadas sejam chamadas de escolas públicas (public schools). Ali o jovem Cameron foi pego tentando colar e, como punição, teve de copiar 500 linhas de latim. Depois de Eton, naturalmente, a universidade foi Oxford e seu clube foi Bullington.
Como perfeito snob, Cameron casou-se depois com Samantha Gwendoline Sheffield, cujo pai é um baronete proprietário de terras e cujo padrinho é visconde. Samantha Gwendolina trabalha na célebre casa de produtos de luxo Smytson, de Bond Street, e foi premiada como a Melhor Designer de Acessórios pelo British Glamour Magazine.
Quando se recuperam das suas asneiras estudantis, os filhos de papai geralmente fazem uma bela carreira: Boris Johnson tornou-se diretor do Spectator (ainda que a sua carreira cambaleie com as suas aventuras de mulherengo inveterado, apesar de casado). Cameron tornou-se diretor de Assuntos Corporativos na Carlton Communication, uma sociedade de mídia absorvida a seguir pela Granada plc para constituir a ITV plc.
Em 2005, quando Cameron vence o congresso Tory e torna-se líder do partido conservador, tem apenas 38 anos. E naturalmente, no governo sombra que forma (o primeiro-ministro na época era Tony Blair), três dos membros são antigos alunos de Eton (Old Etonians). Mas no grupo restrito dos seus colaboradores mais próximos, pelo menos 15 são Old Etonians. E passa-se o mesmo quando, em Maio de 2010, Cameron ganha (pela metade) as eleições e torna-se primeiro-ministro à testa de uma coligação com os liberal-democratas dirigidos por Nick Clegg: também aqui o núcleo duro do governo é constituído por aristocratas, etonianos ou oxfordianos, como o atual o ministro da Economia George Gideon Osborne, também ele nobre, herdeiro do baronato Osborne, também ele diplomado em Oxford, e também ele, é claro, antigo membro do Club Bullington.
Como se dizia outrora: o bom sangue não mente. Tampouco a classe (social).
(1) Sebastian Grigg, (2) David Cameron, (3) Ralph Perry-Robinson,
(4) Ewen Fergusson, (5) Matthew Benson, (6) Sebastian James,
(7) Jonathan Ford, (8) Boris Johnson e (9) Harry Eastwood



O original encontra-se em  http://www.ilmanifesto.it/area-abbonati/in-edicola/manip2n1/20110812/manip2pg/07/manip2pz/308246/


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Darcus Howe

Entrevista à BBC sobre a rebelião na Inglaterra



Darcus Howe (nascido em 1943) é um radialista britânico, colunista e ativista das liberdades civis, que reside em Brixton, ao sul de Londres. Originário de Trinidad, mudou-se para os Estados Unidos na década de 1960 tendo em seguida chegado à Inglaterra com a intenção de estudar Direito. Juntou-se aos Panteras Negras britânicos, o primeiro ramo da organização fora dos Estados Unidos. Chamou a atenção do público em 1970 como um dos Mangrove Nine, quando marchou até a delegacia em Notting Hill, Londres, para protestar contra batidas policiais do restaurante Mangrove, e novamente em 1981 quando organizou uma grande Marcha do Povo Negro com 20.000 participantes em protesto contra a manipulação da investigação sobre o New Cross Fire, incêndio suspeito de ter sido criminoso e premeditado por motivação racista, numa festa de aniversário, em que 13 adolescentes negros morreram.
Howe foi editor do Race Today e presidente do Notting Hill Carnival. Ele é mais conhecido no Reino Unido por sua série "Black on Black" no Canal 4, por seu programa de assuntos atuais Devil's Advocate e por seu trabalho com Tariq Ali em Bandung File. Seu trabalho na televisão também inclui White Tribe (2000), um olhar para Grã-Bretanha moderna e sua perda de "anglicismo"; Slave Nation (2001) e
Who You Callin' a Nigger? (2004) [3]. Ele escreve colunas para New Statesman e The Voice.